A Ponte Salvador-Itaparica voltou ao centro do palco político na Bahia. Desta vez, o governador Jerônimo Rodrigues comemorou a chegada ao Porto de Salvador de um navio vindo da China com equipamentos que, segundo ele, marcam o início da obra.
A embarcação trouxe mais de 800 toneladas de materiais, distribuídas em 44 contêineres, com valor estimado em US$ 3,5 milhões, o equivalente a mais de R$ 17 milhões. A carga será encaminhada para os canteiros de obras em Vera Cruz e São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe.
O governador afirmou que o navio saiu da China há quase 50 dias e chegou a Salvador na madrugada desta terça-feira, 19 de maio. Segundo Jerônimo, os materiais já estavam sendo descarregados e passavam pela alfândega para verificação legal.
“A partir daí é o início da obra da ponte. Começa já a partir dessa chegada do material”, declarou o governador.
A frase, no entanto, reacende uma velha sensação entre os baianos: a de que a ponte vive mais de anúncio em anúncio do que de concreto, máquina e obra avançando de fato.
A Ponte Salvador-Itaparica é uma das promessas mais repetidas da política baiana nos últimos anos. Já passou por solenidades, estudos, discursos, previsões, ajustes e novas datas. Agora, com a chegada dos equipamentos chineses, o governo tenta apresentar mais uma etapa como marco decisivo.
Jerônimo também informou que outros materiais estão chegando por via terrestre, vindos do Espírito Santo. Eles devem ser descarregados entre os dias 19 e 20 de maio e transportados por caminhões para Maragogipe. O governador disse ainda que pretende fiscalizar os procedimentos em Maragogipe e Vera Cruz com sua equipe.
A estrutura logística começa a se movimentar, mas a pergunta que fica é inevitável: desta vez a ponte sai do discurso?
O governo trata a chegada dos equipamentos como o ponto de largada da obra. Mas, para a população, especialmente quem depende diariamente do ferry-boat, da Ilha de Itaparica, do Recôncavo e do Baixo Sul, o que se espera não é mais uma cena de promessa bem embalada. O que se espera é obra andando, prazo cumprido e entrega real.
A ponte é vendida como uma obra estratégica para reduzir distâncias, integrar regiões, impulsionar o turismo e melhorar a logística do estado. O potencial existe. Ninguém discute isso. O problema é que, na Bahia, grandes promessas costumam ganhar mais manchetes do que resultados.
Enquanto isso, a travessia Salvador-Itaparica segue sendo um velho teste de paciência para milhares de baianos.
A chegada de contêineres da China pode até representar uma etapa importante. Mas, depois de tantos anúncios, o baiano aprendeu a desconfiar de fita cortada antes da hora. Para transformar promessa em realidade, não basta navio atracar. É preciso a obra sair do papel, avançar no chão e, finalmente, cruzar a Baía de Todos-os-Santos.





