Quatro anos depois, o mesmo filme voltou a passar na tela da política baiana.
Na segunda-feira, dia 18, o governador Jerônimo Rodrigues assinou ordem de serviço para a pavimentação da BA-537, no trecho que liga os municípios de Itamari e Nova Ibiá, no baixo sul da Bahia. A obra é apresentada como uma demanda importante para a região, especialmente pela necessidade de melhorar a mobilidade, facilitar o escoamento da produção agrícola e impulsionar o desenvolvimento econômico local.
Até aí, tudo parece anúncio de investimento. O detalhe é que essa história não começou agora.
Cerca de quatro anos antes, ainda no governo Rui Costa, o Estado já havia autorizado a licitação para a pavimentação asfáltica do mesmo trecho da rodovia. Na época, o investimento anunciado foi de R$ 12,7 milhões. A promessa foi feita, a expectativa foi criada, a população ouviu o discurso. Mas a estrada, segundo o próprio contexto da nova autorização, continuou sem sair do papel.
Agora, o governo retorna ao mesmo ponto, com nova assinatura, novo ato público e nova rodada de esperança para os moradores de Itamari e Nova Ibiá.
O problema é que, na Bahia, certas obras parecem viver mais tempo no palanque do que no canteiro. A BA-537 virou mais um exemplo de promessa que atravessa governo, eleição, fotografia oficial e discurso de desenvolvimento, mas segue dependente de uma pergunta simples: quando, de fato, o asfalto chega?
O episódio também ganha peso pelo calendário político. A obra já havia sido anunciada pelo grupo petista às vésperas das eleições de 2022. Agora, volta ao noticiário novamente em período pré-eleitoral, o que naturalmente abre espaço para críticas e questionamentos sobre o uso político de anúncios que demoram anos para virar realidade.
No card em circulação, a comparação é direta: de um lado, registros do anúncio anterior, ainda na gestão Rui Costa; do outro, o novo ato com Jerônimo Rodrigues. A legenda resume o incômodo: “Após quatro anos, governo da Bahia volta a anunciar asfalto da BA-537, trecho entre Itamari e Nova Ibiá.”
A imagem, por si só, levanta a cobrança que muita gente da região já faz em silêncio: quantas vezes uma mesma obra precisa ser anunciada até começar de verdade?
A pavimentação da BA-537 não é um favor. É uma demanda histórica de quem vive, trabalha, produz e circula entre Itamari e Nova Ibiá. Para a população, a estrada representa acesso, economia, segurança e dignidade. Para o governo, deveria representar entrega. Não apenas cerimônia.
Até o momento, segundo as informações disponíveis, o governo estadual ainda não detalhou oficialmente o cronograma de execução, nem os prazos de início e conclusão dos serviços. E é justamente aí que mora o ponto central da cobrança.
Assinar ordem de serviço é fácil. Fazer evento é fácil. Tirar foto com documento na mão também é fácil.
Difícil é transformar promessa repetida em obra entregue.
A Bahia já conhece bem esse roteiro: anúncio, aplauso, palanque, espera. O que Itamari e Nova Ibiá precisam agora é de máquina na pista, asfalto no chão e prazo cumprido.
Porque depois de quatro anos, a população não quer mais uma promessa bonita. Quer estrada pronta.





